Em duas exposições individuais os artistas Inaê Coutinho e Danilo Oliveira
apresentam fotos, vídeo e pinturas na Galeria Virgílio

Em um espaço, os registros da fotógrafa podem ser confundidos com pinturas. No outro, pinceladas de um artista que reconstrói imagens cotidianas e estreia a sua primeira individual

No dia 8 de outubro, a Galeria Virgílio abre as portas de duas novas mostras: “Relatos de Luz, Tempo e Cor”, da fotógrafa Inaê Coutinho, e “Toda Tela é Uma Sala de Espera”, do artista plástico Danilo Oliveira.
Com mais de duas décadas de carreira, Inaê Coutinho tem relevância e trabalhos reconhecidos por especialistas do mercado. Nas palavras de Agnaldo Farias, curador da 29ª Bienal de São Paulo e do Instituto Tomie Ohtake: “ao longo dos anos ela tem pesquisado e explorado o campo virtualmente inesgotável da relação entre luz e cor. O enquadramento ousado e a notável qualidade das imagens permitem, também, aproximar a sua produção da pintura.”
E é na busca da relação entre esses elementos que Inaê costuma registrar o interior de casas caiçaras e caipiras brasileiras. “São ambientes escuros que privilegiam o conforto térmico, mas nossa luz tropical invade as pequenas janelas, portas e qualquer outra pequena fresta”. Na exposição ela também mostra um stop-motion feito na cidade de São Paulo, em condições de luz semelhantes e revela as transformações ocorridas no interior do prédio do SESC Pinheiros.

Artista da nova geração, Danilo Oliveira começou a dar os primeiros passos no segmento das artes em 2002, como um dos fundadores do coletivo de experimentação artística Base-V. Dez anos depois, ao lado de seu grupo, ele participou de mostras em galerias paulistanas, como a Choque Cultural e a ROJO, e também em espaços de Bogotá e Buenos Aires.
Para sua primeira exposição individual na Galeria Virgílio, Daniel criou obras com uma nova identidade. As técnicas de serigrafia, monotipia e gravação foram 100% substituídas pela pintura. Não à toa, a mostra foi batizada de “Toda Tela é Uma Sala de Espera”(nome também de um dos 25 trabalhos que estarão na mostra).

DANILO OLIVEIRA
Antes de criar as obras que poderão se vistas na sua primeira exposição individual “Toda Tela é Uma Sala de Espera”, Danilo Oliveira passa por um embate que fica nítido e ganha linguagem própria por meio de pinceladas informais, soltas, densas e cheias movimento.

Mais acostumado a trabalhar com as técnicas de gravação, reconstruir imagens banais e artificiais do cotidiano, como salas de espera, piscinas de plástico e rodovias, em óleo sobre grandes telas é um novo desafio para o artista.

Ele pinta e repinta sem apagar as marcas. Assim, seus quadros acabam revelando uma espécie de rastro do tempo e também registram diversos planos ao mesmo tempo.

O resultado vem em formas que intercalam o abstracionismo com figurativismo em alusões que nunca se completam e são coloridas em tons que vão dos vibrantes ao mais soturnos.

Para estrear sua primeira individual e a cadência dessa sua nova fase, o vernissage do artista terá apresentação da banda de jazz Otis Trio.


A FOTÓGRAFA INAÊ COUTINHO EXPÕE “RELATOS DE LUZ, TEMPO E COR” NA GALERIA VIRGÍLIO

As fotografias e o vídeo da artista Inaê Coutinho, expostos a partir de 08 de Outubro, na Galeria Virgílio, são em parte conhecidos e em parte inéditos do público paulistano. Integram a pesquisa da fotógrafa em poéticas visuais, cuja obra vem se desenvolvendo de maneira consistente há pelo menos 18 anos. A parte conhecida de “Relatos de Luz, Tempo e Cor” foi exposta em 2008, na Galeria do Espaço Porto Seguro de Fotografia, em uma parceria com o Instituto Tomie Ohtake. A outra parte foi apresentada na França, em 2011, por ocasião da premiação do Atelier Gapihan – a mais tradicional molduraria voltada à fotografia da cidade de Paris– e em Québec, no Canadá no mesmo ano.
Inaê Coutinho começou a fotografar há 25 anos, ainda na adolescência, e o seu interesse pela fotografia foi permeado e retroalimentado pelo seu interesse expresso no desenho e na pintura. “A pesquisa me fez ver com maior clareza essas relações e o fio condutor da minha poética, que se resume nessa busca da luz, do tempo e da cor”, comenta a fotógrafa.

“A fotografia analógica e a ampliação manual têm um encanto do qual não consegui me privar até agora. A materialidade da luz atravessando as superfícies –marcando a prata – e a pesquisa no laboratório fotográfico para se chegar ao resultado final são tão prazerosos quanto motivadores do meu trabalho, são quase integralmente o meu assunto”, afirma Inaê.

De acordo com a fotógrafa, os interiores de casas caiçaras e caipiras do Brasil são ambientes ideais para esta busca. “São ambientes escuros onde a luz entra morosa, bloqueada por pequenas janelas e portas... e dependendo da posição da câmera oferecem surpresas que não são identificadas à olho nu, como raios que cortam as imagens descobertos nos negativos processados”, finaliza a artista.

Essa experiência temporal de realização, tanto na captação das imagens (que neste caso tem em média tem 30 segundos) quanto na ampliação acabaram moldando o modo como a fotógrafa pensa as imagens, embora ela esteja começando a pensar nelas de outra forma, também, ao produzir digitalmente. É o caso do vídeo, um stop-motion feito na cidade de São Paulo com condições de luz semelhantes.

SOBRE O VÍDEO LUMIAR*

Inaê Coutinho vem pesquisando as alterações de ambientes internos pela entrada da luz. Sua produção fotográfica – de cor saturada, e enquadramento diferenciado –tem se concentrado nas características visuais de ambientes não urbanos, em geral casas de arquitetura vernacular pelo interior do país. Neste caso um vídeo de 7” registra as transformações ocorridas no interior do prédio do SESC Pinheiros, situado no Largo de Pinheiros em São Paulo ao amanhecer, investigando os caminhos percorridos pela luz ao raiar de algumas manhãs.

*texto da artista para a coletiva no Sesc Pinheiros por ocasião do Projeto Integração|action: échange Québec|São Paulo, em São Paulo, de abril a maio de 2011. Captação de imagem e som: Inaê Coutinho. Edição de imagem e som: Amauri Moreira.

É artista visual, trabalha com fotografia, vídeo e colagem. Realizou diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior.

Expõe seu trabalho pessoal desde 1993, tendo ganhado a Bourse-Cadrage Atelier Gapihan (Paris/2011). É representada, em São Paulo, pela Galeria Virgílio e, na Europa, por Agnès Voltz. Entre suas exposições destacam-se as individuais “Luz Interior” (Maison du Brèsil, Paris, 2012), “Casas de Inaê” (Espace Gapihan, Paris, 2011), “Da Luz” (VU PHOTO Centre de Diffusion et

Production de la Photographie (Québec, Canadá); “Da Luz” (Espaço Porto Seguro de Fotografia/2008), “Da Luz na Escuridão” (Centro Universitário Maria Antônia/2005), “Memória nas Coisas” (Centro Cultural São Paulo/2000),“Autoretrato com Amiga (Funarte RJ/1994) e as coletivas Integração|action (SESC Pinheiros/2011) e "Ponto de Equilíbrio" (Instituto Tomie Ohtake/2010).

Atua como pesquisadora e professora-doutora em Poéticas Visuais pela ECA-USP, tendo concluído em 2012 seu estágio doutoral na Sorbonne Nouvelle Paris 3, sob orientação de Philippe Dubois, com suporte da CAPES-PDEE. É graduada em Educação Artística pelo Instituto de Artes da UNICAMP.

Tem larga experiência no ensino de artes, fotografia e vídeo para cursos livres e ensino formal (Ensino Fundamental II, Médio, Superior), bem como na formação de professores. Foi agraciada com o Prêmio Internacional de Inovação e Criatividade pela Safe Kids WorldWide em 2005. Atua na área desde 1992 e já contribuiu com diversas instituições. Presta consultoria pedagógica para o Terceiro Setor. Atualmente leciona no Instituto Tomie Ohtake, na UNIP, no Projeto Pontos Mis do Museu da Imagem e do Som e colabora com o Projeto Cidade Invertida.


SERVIÇO
O QUE: Exposição Inaê Coutinho: Relatos de Luz, Tempo e Cor – fotografias e vídeo
Exposição Danilo Oliveira: Toda Tela é uma Sala de Espera – Pinturas.
ONDE: Galeria Virgílio. Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 426, Pinheiros
Fone: (11) 3081.6986 – 3062.8237 - 2373.2999
QUANDO: 08/10 a 02/11 de 2013.

Abertura dia 08/10 a partir das 20h
Horários: de segunda a sexta, das 10 às 19h;
Sábados, das 10 às 17h
Entrada franca e livre.

rua dr. virgilio de carvalho pinto 426 Pinheiros | 05415-020 | São Paulo SP | +55 (11) 2373.2999