Poesia visual em exibição na Galeria Virgilio


Reproduções de obras de Tadeu Jungle, Júlio Mendonça, Gastão Debreix e Villari Herrmann

Omar Khouri e Paulo Miranda organizam mostra caracterizada
pelo cruzamento de linguagens, reunindo a produção de dezoito
artistas de três diferentes gerações

A Galeria Virgilio inaugura no dia 10 de abril, terça-feira, a coletiva Poesia, organizada por Omar Khouri e Paulo Miranda. A mostra reúne cerca de 50 trabalhos, entre serigrafias, monotipias, graffiti e pintura, que se inserem no universo do cruzamento de linguagens que tem caracterizado a poesia de base experimental nas quatro últimas décadas, abarcando poemas inéditos e alguns já considerados históricos, de pelo menos três gerações de poetas.

Os poemas adentram a Galeria, reivindicando o que têm em comum com as chamadas Artes Visuais e vão do objeto único a pequenas tiragens. Poetas participantes: André Vallias, Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Gastão Debreix, Gil Jorge, João Bandeira, Júlio Mendonça, Julio Plaza, Lenora de Barros, Omar Khouri, Paulo Miranda, Ronaldo Azeredo, Sonia Fontanezi, Tadeu Jungle, Villari Herrmann, Walter Silveira e Zéluiz Valero.

Trata-se de uma exposição de poesia visual, ou intersemiótica, como era denominado esse tipo de produção nos anos 1970, quando circulava em revistas alternativas”, declara Khouri.


A Poesia Visual foi sempre mais do que ponte entre palavra e imagem. “janelas”, cujo material de intercâmbio internacional era acolhido e divulgado.

Sua linhagem é, sem dúvida, concretista, porque tem o olho no universo dos signos mais secos, e é tão enxuta quanto a Concreta, quando cola formas e significados. Mesmo dentro da linhagem, a diferença maior é a mistura. Desde o início, a Poesia Visual garantiu trânsito livre por códigos visuais, verbais e sonoros e incluiu misturas de todo tipo, em termos de meios e suportes. Hoje em dia posso pensar que ela inclui também ações performáticas, ambientes e até arquiteturas, pois seu território se mantém sadiamente multidisciplinar, com fronteiras cada vez mais fluidas. Certamente um terreno avesso aos especialistas das técnicas tradicionais da imagem e aos poetas só do verso: habitá-lo era, em primeiro lugar, assumir o hibridismo das linguagens. Desde logo eu mesma visitei com constância este território, para instalar meu repertório em seus limites mais abertos.

No Brasil dos anos 70, a Poesia Visual foi bastante marginal e publicada principalmente em revistas produzidas e gerenciadas pelos próprios autores, logo distribuídas e trocadas, quase de mão-em-mão. As edições eram forçosamente pequenas, pelo custo e dificuldades de difusão, mas também porque os exemplares estavam destinados aos pares, e esses nem eram tantos. Julio Plaza achava que 600 exemplares deveria ser o limite máximo dessas revistas e também das publicações congêneres, porque este seria exatamente o tamanho do público interessado, naqueles anos de fronteiras endurecidas pela ditadura militar. Mas, em seguida, ficamos convencidos de que elas também podiam funcionar como por arquivos e distribuidoras organizadas por artistas e autores, em outros países: a Poesia Visual podia ir para o mundo, o mundo “global”, antes das redes digitais que agora facilitam – mas também pasteurizam – a nossa comunicação.

Se naquele período a Poesia Visual promovia suas próprias apresentações e era totalmente avessa a galerias, só convocada por raras instituições e museus (salvo honrosas exceções como, no Brasil, o MAC dos tempos do Walter Zanini, a Franklin Furnace de NY e a Other Books and So de Amsterdam), o que faz agora exposta em galeria de arte? O que mudou?

Mudou tudo – menos mal. Mudou a arte, mas, muito mais, mudaram as galerias, mudaram os museus e também o reconhecimento devido. Já faz algum tempo que instituições, principalmente estrangeiras, começaram a reconhecer que o panorama artístico, dos anos 70 ao presente, não se explicaria suficientemente sem esta vertente poética e multimídia, que antes andava mais subterrânea. E que era mesmo preciso criar novos modos de arquivar, colecionar, mostrar e celebrar esta parte, antes até escamoteada, da história recente, até porque ela costura ou ancora várias formas das poéticas do presente. Na esteira da verdadeira varredura promovida internacionalmente por museus e colecionadores, para entender e promover o background dessas manifestações e suas derivações atuais, porque algumas galerias, entre as mais atentas, não se situariam nesta mesma constelação de intenções?

Regina Silveira – fevereiro de 2012


Evento: Poesia, exposição coletiva de poesia visual
Abertura: 10 de abril, terça-feira, a partir das 19 horas
Período expositivo: de 11 de abril a 5 de maio de 2012


Local: Galeria Virgilio
| Entrada livre e franca
Endereço: Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 426 Pinheiros, São Paulo SP
Segunda a sexta, das 10 às 19h
Sábados e feriados, das 10 às 17h

rua dr. virgilio de carvalho pinto 426 Pinheiros | 05415-020 | São Paulo SP | +55 (11) 2373.2999