Beatriz Toledo
Beatriz Toledo nasceu em 1979, em São Paulo. É formada em artes plásticas pela Escola Comunicações e Artes na USP. Em 2007, fez uma residência na École Nationale Superièure de la Photographie em Arles, França. Expôs em espaços como o Centro Maria Antônia, o MAC-USP e a Galeria Virgílio. Durante três anos trabalhou como fotojornalista para o jornal Folha de São Paulo e deu aulas em espaços como o CCSP e o SESC. Atualmente, vive e trabalha em Paris, onde faz mestrado em Fotografia e Arte Contemporânea.

Qudros
Em Quadros, sua mais recente exposição, Beatriz Toledo questiona o estatuto da imagem fotográfica. Em um ambiente museográfico forjado, são mostradas oito fotografias dispostas em tableaux como aqueles vistos em museus como o Louvre ou o D’Orsay. Optando por esta forma expositiva, a artista abre mão de simplesmente mostrar suas fotografias mais recentes, para propor um modo de pensá-las no contexto da arte contemporânea. Em Belas Artes, aqueles oito tableaux traduzem uma questão antiga: o que é uma imagem bela?

Ed Panar
Ed Panar nasceu em Johnstown, Pensilvânia - EUA, em 1976. Completou seu mestrado na Cranbrook Academy of Art em Bloomfield Hills, Michigan, e, dentre suas recentes publicações, destacam-se Animals That Saw Me (The Ice Plant), Same Difference (Gottlund Verlag) e Golden Palms (J&L Books). Possui trabalho na coleção permanente do Museum of Contemporary Photography em Chicago e foi incluído no Midwest Photographers Project de 2005-2009. Em 2007, recebeu uma bolsa do Pennsylvania Council on the Arts. Atualmente, vive e trabalha em Pittsburgh, Pensilvânia.

Animals That Saw Me
Há mais de 16 anos rondando o meio urbano e rural com uma máquina fotográfica, normalmente sozinho, à pé e mantendo certa discrição, Ed Panar foi repetidamente “pego” em ação enquanto fotografava – não por outras pessoas, mas por uma variedade aleatória de animais: vacas, gatos, sapos, cachorros, tartarugas, veados, gansos… O animal vê Ed e Ed vê o animal; uma mensagem não dita se transmite entre eles. Se ele tiver sorte, o momento é capturado, catalogado e marcado para referência futura. Em Animals That Saw Me: Volume One, Panar reúne a primeira coleção de seus encontros mais surpreendentes e inesperados com esses animais ordinários – um breve estudo de campo desse estranho momento de reconhecimento entre as espécies. À medida que nos perguntamos o que exatamente estes animais viram, as fotografias nos servem como um lembrete de que devemos parecer tão estranhos e exóticos aos olhos deles quanto eles nos parecem.

Eric Tabuchi
Descendente de japoneses e dinamarqueses, Eric Tabuchi nasceu em 1960, em Paris, cidade em que vive e trabalha atualmente. Além de ter sido ídolo pop da cena musical francesa dos anos 80, formou-se em arquitetura, metiér no qual atua até hoje. Tornou-se artista visual no fim dos anos 90, quando começou a expor em instituições como a Fondation Cartier pour l’Art Contemporain e o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris. No decorrer dos anos 2000, seu trabalho ganha projeção internacional, exibindo-se em países como Canadá, Coreia, Nova York e Bélgica. Na mesma década, Tabuchi realiza diversas exposições individuais, dentre as quais se destacam Reseve Naturelle no Palais de Tokyo, em Paris, e Mini Golf, na galeria La Chambre em Strasbourg, também na França.

26 abandoned Gasoline Stations e Faith in Modernity
Como em uma fusão entre as posturas documentais históricas (com seu rigor de enquadramento e sua aproximação sistemática) e a ironia de um Ed Rusha, Tabuchi transforma, pela fotografia, artefatos anedóticos da cultura industrial em esculturas heróicas. As séries do artista parecem coleções que se enriquecem de achados recolhidos nas estradas. Seu tema se encontra claramente nas fissuras de um mundo industrial e pós-industrial em constante construção e destruição. Suas coleções são, ao mesmo tempo, abertas e arbitrárias. A referência que Eric Tabuchi faz a Ed Rusha não é gratuita: o "26 gasoline stations" de Rusha marca o começo de uma estética própria à Arte Conceitual: esta maneira estranha de dar um número, de fechar arbitrariamente uma série potencialmente infinita.
A reflexão sobre o futuro dos objetos produzidos em massa pela indústria, assim como sobre a criação de não-lugares e de terrenos baldios, fazem parte do registro fotográfico praticamente desde a sua invenção. Nesta postura, sem dúvida, há uma critica à sociedade capitalista e suas aberrações; contudo, no trabalho de Tabuchi, ela é adornada de humor e está longe de ser fruto de uma atitude de indiferença ou blazé. Isso torna suas imagens mais complexas, ambivalentes e donas de uma beleza intrigante.

Ville Lenkkeri
Ville Lenkkeri nasceu em Oulu, na Finlândia, em 1972. Estudou Fotografia e Cinema na Academia de Artes Performática (FAMU), em Praga. É mestre em Artes Visuais e Fotografia pela University of Art and Design in Helsinki (UIAH/Taik), famosa por formar grande parte dos fotógrafos que integram a Helsinki School. Em 2005, Lenkkeri muda-se para Estocolmo, onde vive e trabalha até hoje. O artista participou de várias exposições nacionais e internacionais, dentre as quais descata-se a individual Reality in the Making, de 2007, que foi exposta em seis versões: na SynArt Gallery em Frankfurt, Villa Oppenheim, em Berlim, Pole Image, em Rouen, Peter Lav Photo Gallery, em Copenhagen, Korjaamo, em Helsinki, e Finlands Institutet, em Estocolmo.

Reality in the Making
Reality in the Making é o projeto recente mais extenso realizado por Ville Lenkkeri. A série trata da maneira, cada vez mais usual, de experimentarmos e compreendermos o mundo através de diferentes tipos de modelos, gravações e simulações. É como se estivéssemos passando ao largo do real e substituindo-o ativamente por construções dos mais vários tipos. O que Lenkkeri procura evidenciar está além de um “efeito de realidade”; ele quer a realidade desse efeito. Para o artista, o real está submetido a um controle, como se estivéssemos nos tornando espectadores de nossas próprias vidas. A série Reality in the Making é um estudo crítico desse fenômeno que, no entanto, é abordado por suas imagens com suavidade e sutileza, representando construções de certa forma ultrapassadas, como que sugerindo a natureza avassaladora de uma tendência da fotografia em apenas adicionar uma outra camada na cadeia da representação, neste caso, uma camada autocrítica.


QUADRO - BEATRIZ TOLEDO
HUMBLE, SILENT AND UNEXPLAINABLE - Ed Panar, Eric Tabuchi Ville Lenkkeri

Abertura: Terça-feira, 13 de setembro de 2011, às 20h
Exposição: de 13 de setembro a 08 de outubro de 2011
Segunda a sexta, das 10 às 19h
Sábados e feriados, das 10 às 17h

rua dr. virgilio de carvalho pinto 426 Pinheiros | 05415-020 | São Paulo SP | +55 (11) 2373.2999