Thiago Honório
Abertura: quinta-feira, 06 de dezembro às 20hs
Exposição: 07 de dezembro a 15 de fevereiro de 2007


Diego Belda
segunda a sexta das 10 às 19hs
sábado e feriados das 10 às 17hs


 
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A GALERIA VIRGILIO inaugura duas mostras individuais: “Exposição”, de Thiago Honório, e Malagueta, Perus e Bacanaço, de Diego Belda. A exposição de Thiago Honório, no piso inferior, é sua segunda individual realizada em galeria, onde o artista recoloca questões que lhe são caras sobre os conceitos de exposição, limite e contraste. Diego Belda, no piso superior, busca inspiração no mundo da sinuca e apresenta dez trabalhos sobre o tema, incluindo uma mesa de sinuca, esculturas e pinturas com base em madeira, fórmica e feltro.

THIAGO HONÓRIO - Exposição
O artista plástico Thiago Honório inaugura na Galeria Virgilio sua mostra, intitulada “Exposição”, que busca problematizar a idéia de exposição.

Com “Exposição”, Thiago Honório procurou concatenar e estabelecer uma relação entre as obras, enfatizando os intervalos entre elas, conferindo um estatuto ativo aos espaços deixados vazios. Como isso, Thiago Honório ao mesmo tempo que resguarda a autonomia de cada um dos trabalhos, mergulha-os num feixe de relações recíprocas, situação na qual o espectador deve se descobrir permanentemente convocado a redefinir o conjunto. “Esta mostra, e os trabalhos que a integram (que são, por assim dizer, duas coisas iguais e diferentes), surgem como uma reflexão sobre a natureza do processo de criação, sobre esse limite incerto que pode tornar algo um 'trabalho de arte'. É algo que indaga se a condição de uma ‘exposição’ pode vir a ser o próprio momento constitutivo do trabalho, revelar-lhe os mecanismos mais sutis de formação, e não a apresentação de um conjunto que só pode vir à tona a posteriori”, afirma o artista.

Numa parede de grandes dimensões do piso térreo, há somente um chifre de animal selvagem (codu) com uma placa de ouro; na parede ao lado, um monitor plasma exibe o vídeo “Exposição” e, na parte central da sala, os trabalhos intitulados “Xeque-Mate” e “Olho”.

Sobre uma base de jacarandá há uma placa de ouro com a gravação do título / "nome" Bataille (que também significa batalha, em francês), desta base emergem os chifres; há, também, tijolos à vista, estaca de concreto, uma trama de peles, chumbo, espelho de mesa e ovo. O conjunto desses elementos revela uma crueza, uma vontade auto-demonstrativa que surge de um ato que deve se presentificar pela “ausência”, vale dizer, pela própria energia que deve irradiar dos obras.

As idéias de limite e contraste, bem como uma relação imperiosa com o ambiente, que envolva ativamente o espectador são questões caras a Thiago Honório, e vêm sendo abordadas em muitos de seus trabalhos desde “Saltando de banda”, exposição realizada em 2003, espécie de performance de engenharia realizada com estacas de concreto armado e cabos de aço.

Nascido em Carmo do Paranaíba, Minas Gerais, Thiago Honório (28 anos) fixou residência e ateliê em São Paulo e leciona, desde 2006, na Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP.

Acompanha “Exposição” um ensaio inédito de Sônia Salzstein, crítica de arte e professora da Escola de Comunicações e Artes da USP.

DIEGO BELDA - Malagueta, Perus e Bacanaço
O artista plástico Diego Belda apresenta, na Galeria Virgilio, uma visão particular do universo da sinuca e da malandragem paulistana na exposição Malagueta, Perus e Bacanaço, livremente inspirada no conto homônimo do escritor João Antonio, que retrata a vida de três boêmios em busca de dinheiro nos salões de bilhar.

No total, serão expostos dez trabalhos, entre os quais uma mesa de sinuca, em tamanho oficial, que estará disponível para ser usada pelos visitantes. “As obras seguem a linha que venho explorando há algum tempo. São trabalhos de parede em grande escala e bastante volumétricos”, afirma Diego Belda. A exposição é um desdobramento de uma obra que integrou sua última exposição na Virgilio e também foi exposta no Panorama da Arte Brasileira 2005, no Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo.

Os materiais utilizados são feltro (forração de mesas de sinuca), fórmica, folhas de madeira e plástico sobre base de madeira. O artista explora o vasto campo da pintura, estabelecendo relações com a vida cotidiana tanto pela temática como pelos materiais utilizados. “Procuro fugir dos parâmetros tradicionais da pintura, deixando de lado sua função de representação, tornando-a mais próxima de um objeto”, explica. Belda diz que prefere trabalhar de forma mais experimental, com a elaboração da idéia e a execução da obra se processando de forma simultânea. Conforme vai ganhando corpo, o próprio trabalho passa a guiar o processo para sua finalização. “Meu processo é cravado nos procedimentos de colagem onde as partes autônomas se juntam para formar uma obra coesa.”

Para o próximo ano, Diego Belda realizará uma exposição individual no Paço das Artes, em São Paulo, como parte dos projetos selecionados para a temporada 2007-2008. Ele continuará a discussão sobre os limites do espaço pictórico, já que suas obras se projetam, literalmente, para fora do quadro, transitando entre a pintura e a escultura.