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Leila Reinert

Paulo D'Alessandro

Exposição:      Leila Reinert / Paulo D'Alessandro

Abertura:                   09 de fevereiro, 5ª feira, às 20h.

Período:                    10 de fevereiro a 04 de março 2006

Horário:                     Segunda a sexta das 10h às 19hs - Sábado das 10h às 17hs


Piso 1
Leila Reinert
Fotografias e video

"Amor e Falto-retrato"

Leila mostra nesta exposição obras resultado de um processo que vem desevolvendo desde de 2001 onde vem abordando temas como corpo e feminilidade.
São 20 fotografias e um vídeo experimental que compõem a exposição, Amor e Falto-retrato. Fotos de um corpo, do quarto e de rosas, temas, se diria, clichês na história da fotografia. Tudo, aparentemente, muito banal. E é bem do que tratam essas fotografias, de pura aparência inventada pela luz. São imagens frágeis e fugidias de corpos “quase” ausentes, que evocam o trágico. Pois, como afirmou Jean-Luc Godard, em o Detetive: "A catástrofe é a primeira estrofe de um poema de amor".
O amor percorre o espaço desta exposição. Então penso: que coisa mais demodé falar de amor, de afetos singulares, de relações íntimas, num mundo em que as urgências parecem ser coletivas, globalizadas, ou ainda tecno-políticas. Pois é… mas… o amor…, e não encontro justificativa – nem prós nem contras. Ele, o amor, só se tornou uma presença nos trabalhos desenvolvidos (diz a artista).

Vídeo: animacao feita a partir de uma projeção de slaide.
Uma linha, desenhada a partir de uma fotografia do perfil de dois amantes, põe-se em movimento ao som de um texto extraído do “Tratado do Amor Cortês”, de André Capelão. A sobreposição da voz embaralha a fala e dificulta a compreensão. Atordoar é a função. Na duração da projeção, a consumação de uma ação trágica.

obras
1 Video
15 fotografias
tamanhos: maior 118 x 180 cm
tamanhos: menor 45 x 70 cm
preços
maior R$ 5.000,00
menor R$ 2.000,00


Piso 2
Paulo D’Alessandro
Fotografia

Na exposição Fragmento do Projeto: “Histórias” – Mapeamento Fotográfico da Cidade de São Paulo?, Paulo D`Alessandro mostra o fragmento de um projeto que vem realziando desde 2002 que consiste num fotograma frente e verso de 26 metros de comprimento. O artista relaciona parte deste projeto com outras seis fotografias pertencentes à sua produção, propondo mais uma reflexão sobre o espaço urbano da cidade de São Paulo.

Estas são algumas das questões que Paulo D’Alessandro faz para si continuamente ao realizar este projeto:

Que cidade é esta?
O que há entre um muro e outro?
O Que há entre um fotograma e outro?
Quais são os limites e divisões? Como congelar uma cidade que está em movimento contínuo?
Como criar uma imagem de uma cidade em constante transfiguração a partir de uma só fotografia?
Como é que se faz um registro iconográfico?

Paulo D’Alessandro declara : “ talvez eu saiba que é impossível fazer um mapeamento fotográfico de São Paulo; a tentativa deste movimento é o que me interessa. Venho construindo, pela fotografia, camadas e camadas de fotogramas da cidade de São Paulo, misturando-as para formar um só horizonte, com várias épocas de construções, uma invadindo a outra.”

O mistério do muro

Se há algo que define a existência urbana é o muro. Muro que se apresenta camuflado de várias formas: parede, porta, portão, divisória de escritório, vidro fumê de carro e toda sorte de anteparo que isola as pessoas, as coisas, os saberes, as experiências. Paulo D’Alessandro faz do fotograma metáfora do muro. Subverte sua lógica. Dissolve o muro ao transgredir a separação entre fotogramas do negativo. O procedimento resulta em um encadeamento de imagens sobrepostas que, ao final do filme fotográfico, constituem um único negativo. O objeto fotografado, por coerência e honestidade poética, são essas estruturas urbanas em suspensão. Os muros e outros compartimentos da vida contemporânea são fixados em estágios intermediários: o condomínio sendo construído, as ruínas sendo restauradas, tijolos e outros materiais de construção empilhados (muros em potência), a arquitetura em constante processo de autofagia. Mesmo na série de fotos dos anos 1990, esse estado de suspensão, esse entremeio, era evidente: prédios apareciam fragmentados, como na iminência de desabar. Em 2003, com o livro-objeto Enquadramento, Paulo D’Alessandro terminou de liberar o negativo de suas coerções espaciais e temporais. A mitologia do instante exato capturado foi substituída por uma infinidade de instantes sobrepostos. A linguagem da interrupção e do intervalo entre fotogramas foi vertida em uma narrativa sem cortes, que instaura uma nova forma de continuidade, como que intrínseca à obra. A fotografia, aqui, deixa definitivamente de ser instantâneo da vida. E o espaço delimitado da fotografia torna-se contínuo. A investigação dos entremeios da cidade, dos interstícios dos fotogramas, que caminhara cada vez mais para dentro destas superfícies que não se deixam transpassar, até o limite de fazer desvanecer os muros e demais divisões, chega agora à imagem de horizonte novamente: a extensa fotografia que une dezenas de rolos de filme coloca-se na altura do olhar. D’Alessandro investiu contra a cidade, flagrou sua destruição cotidiana, para finalmente encontrar um horizonte possível e fazer jus à utopia de retratar São Paulo.

Juliana Monachesi

Obras
7 fotografias
tamanhos: maior 26 metros
tamanhos: menor 18 x 160 cm
preços
maior R$ 8.000,00
menor R$ 5.500,00

rua dr. virgilio de carvalho pinto 426 Pinheiros - 05415-020 São Paulo SP Brazil - (5511) 2373-2999