RELEASE

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Vanderlei Lopes

Marco Gianotti

Exposição 16 de Setembro a 08 de outubro de 2005

Abertura   15 de Setembro às 20 horas

Visitação Seg a sex das 10 às 19hs  / Sab das 10 às 17hs

Piso1 - " EPHEMERAS "

Vanderlei Lopes   é um artista que vem se destacando no cenário de Artes Plásticas nos últimos anos, com trabalhos em desenho, fotografia e vídeo. Participou de várias exposições, entre elas, no Centro Universitário Maria Antonia em 2004, no Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo, em 2003, onde recebeu Prêmio aquisição e Nefelibatas, no Museu de arte Moderna de São Paulo, em 2002.

Nesta nova exposição intitulada EPHEMERAS [15 desenhos, um vídeo e 3 fotografias] Vanderlei Lopes aborda a idéia de transitoriedade, de sobreposição de tempo, relacionando desenho e imagem. Nesses trabalhos há,por meio de uma ação, uma alternância entre o que é revelado e o que é apagado, entre o que se vê e o que se pensa.

O vídeo registra o desenho de uma árvore sendo feito diretamente no chão,utilizando pólvora. Numa primeira ação, ao expargir a pólvora, a figura é mais ou menos gerada. Em seguida, inicia-se a construção das linhas dos galhos. Essa construção do desenho, é acompanhada pelo som das mãos raspando chão, no movimento de juntar a pólvora. No final, é colocado fogo na figura, a partir do tronco, e o fogo então percorre as linhas de pólvora,refazendo o desenho. Por um momento, a intensidade da luz dificulta a captação pela câmera, escurecendo a imagem. Em seguida, na medida em que o fogo vai passando, a figura reaparece novamente.

Nos desenhos, todos feitos com álcool sobre papel estêncil, e no mesmo formato [23.5 x 34.5], o artista explora relações de linha, mancha e espaço do papel. Embora sem a presença da chama, o estêncil reage ao álcool num processo de queima, alterando sua cor. O resultado são fumaças, espaços e objetos kj representados, que podem ser pensados como imagens; dispostos na parede da galeria numa seqüencia, como fragmentos de um filme sem continuidade.

As fotografias são uma transposição bidimensional do vídeo. Feitas com justaposições de imagens gráficas e em cor, aproximam diferentes momentos da ação, em que o trabalho figura em seus vários estágios; desde o desenho feito, até chapados em cinza e laranja.

Obras em exposição

desenhos, fotografia e video

Valor das OBRAS DE R$800,OO A R$4000.00

Piso 2

Marco Giannotti

Marco giannotti, pintor e professor da Escola de comunicações e artes da USP inaugura uma nova exposição na Galeria Virgílio

O artista parte de imagens de óleodutos para realizar  

Suas pinturas. A temática urbana e industrial é recorrente na produção do artista   desde sua exposição em conjunto com Haroldo de Campos   em 1996. As obras são de grandes formatos e tem uma forte presença cromática. A técnica empregada é óleo e têmpera sobre tela.


Texto Critico


Ao pensar no que escreverei, surpreende-me a proximidade entre dois textos que se desconheciam entre si. Em um dos fragmentos do livro que não chegou a terminar, Gregory Bateson, combinando “The Rime of the ancient mariner”, de Coleridge, com um conto balinês, notava que as peças “partihavam a noção de, sob certas circunstâncias, não comunicar algo”, (Bateson, G.: Angels fear. Towards an epistemology of the sacred, 1987, pp. 79-80). Nove anos depois, Marco Giannotti declarava: “Muitas pinturas [contemporâneas] buscam falar sobre [a] dificuldade de expressar algo que não pode ser dito” (“Cubatão, 1966”). E, no entanto, o antropólogo e o pintor falavam de coisas bem distintas: Bateson, de ultrapassar a dicotomia, estabelecida desde Descartes, entre mente e matéria, procurando dar condições para que o silêncio voltasse a ser humanamente fecundo; Giannotti, de fechar a porta para o falaz ilusionismo pictórico. A diferença de suas metas não os impedia de manifestar o desconforto comum ante as estratégias que movem o maquínico e causalista mundo contemporâneo, em que o fáustico progressivamente aponta para o tão-só destrutivo. A proximidade deve ser levada adiante: ao passo que, entre os contemporâneos, a tendência freqüente é a de se enterrarem em seus barris beckettianos, de onde esperam escapar, ao menos adiar o raio, o tiro ou o processo que os eliminará, as obras do antropólogo e do pintor denunciam o status quo e propõem um modo ativo de se manter em vida; denúncia que se diferencia porque um antropólogo não é um pintor. O antropólogo mostra o preconceito que subjaz ao cientificismo exuberante: fala-se de tudo menos da mente que propicia seu cálculo; o pintor, mais próximo da cena imediata do mundo, das “imagens apocalípticas de um presente que se tornam cada vez mais metáforas do futuro” (Giannotti, idem). Mas como a pintura de Marco Giannotti tematiza o apocalipse se seus quadros ressaltam aspectos das metrópoles que conhecemos? Por uma solução de aparência simples: pela quebra da cadeia de transmissão de que se alimenta o sistema vigente. Concretamente: as tubulações, os oleodutos deixam de ser artefatos transmissores para que se destaquem em si; não como flashes, a serem estampados nas páginas de revista ou jornal, senão como construções maquínicas, que, pelas variações cromáticas que nelas se investem – a cor deixando de ser ornamento para que faça reverberar a matéria – avançam sobre o expectador. Deste modo o abstrato em Giannotti não é uma recusa do mundo , mas sim um ato de resistência contra o mundo-posto-à-venda pelo marketing. Não é tampouco um gesto contra a técnica, senão contra sua sujeição a um sistema exploratório que sempre e mais nos aproxima da paralisia e da destruição. É importante pois enfatizar que o realce do que nos seus quadros não se diz tem a eficiência de que estaria desprovida a figuração da catástrofe – esta seria semelhante a uma advertência, logo consumida pelas milhares de mensagens “otimistas”, publicitárias do sistema explorador e globalizante. O que não se diz demanda o poder de imaginação da mente receptora; sua capacidade de intuir que as tubulações, enquanto conectadas, são bombas de efeito retardado. Ao desconectá-las e articulá-las ao tratamento das cores diversificadas, explicita-se que o paraíso industrial encobre o inferno. Como ainda em 1996 afirmava Marco Giannotti: “Ao olhar para Cubatão temos a mesma sensação de pavor e medo que temos ao olhar para um penhasco”. Isso posto, podemos terminar com as palavras de Bateson, agora integradas em um alvo pictórico: “A mente sem a matéria não pode existir; a matéria sem a mente existe mas é inacessível”. A cosa mentale, a pintura, exige que o receptor suplemente seus cortes e vazios.

Luiz Costa Lima

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