Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Wagner Morales na +Soma #09

Essa interpretação dos trabalhos de Morales foi publicada na revista +Soma número 09 de um outro jeito. Aqui , o texto sai em sua versão final.
Wagner Morales ficou conhecido por sua série Vídeos de cinema. Lá, ele trabalha sobre gêneros muito codificados de filme: aqueles que separam os títulos na prateleira das locadoras e classificam os clichês da produção hollywoodiana. Com imagens pouco usuais, ele fez vídeos com temas como roadie-movie, filme de guerra, filme de sacanagem, ficção científica, horror etc.

Nas fotos recentes, o cinema continua a ser a matéria prima do artista, mas aqui, ao invés dele desconstruir uma linguagem, ele usa os clichês, ícones e a linguagem do filme como objetos a serem dispostos em um quadro. Vale-se de um princípio muito sintético de elaboração dos trabalhos: escolhe fotogramas de filmes conhecidos ? uns mais e outros menos ?, congela a cena, a recorta e projeta em um espaço real escolhido. A projeção é fotografada e se torna a obra do artista.

Deslocados de sua função, os frames colados em um espaço real sugerem que as personagens fotografadas realizam ações cotidianas nos ambientes. Assim, personagens de Rainer Fassbinder saem da tensão do filme e, na imagem, passeiam pelos cômodos de uma casa. Os carrões do filme Death Proof, de Quentin Tarantino, ficam estacionados na garagem de prédios paulistanos e mulheres são vistas em cenas íntimas, como se flagradas por um voyeur.

Essa série foi exposta pela primeira vez na mostra Homevideo, na Galeria Virgílio. De lá pra cá, foi desdobrada em um trabalho de parede exposto na Galeria Vermelho e em um lambe-lambe, exibido na mostra coletiva Paralela, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, que deu escala real aos trabalhos de Morales.

A passagem da cena de um tipo de imagem para outro (do cinema para a fotografia) evidentemente altera o sentido da ação. Por exemplo, personagens de filmes de Hitchcock e Fassbinder saem de contextos tensos ou dramaticamente carregados e aparecem em quartos, cozinhas, banheiros e garagens, a fazer atividades rotineiras, do dia-a-dia. O perigo deixa de espreitar Janet Leigh na cena do chuveiro de Psicose (1960). Retira-se o crime de cena e ela pode tomar um banho demorado e relaxado. Sem se dar conta da passagem do tempo, sem facada, sem música tensa.

O artista dá férias às personagens. Elas não estão realizando coisas importantes para um filme. Seus atos são sem sentido e sem importância. Como em seus filmes, Morales suspende a dramaticidade das imagens, tira sua carga emocional. Por isso, nessas fotografias, as ações retratadas são banais. Não respondem ao que se segue no próximo fotograma. Representam algo que não é digno de nota. São figuras onde os retratados fazem o que qualquer um pode fazer todos os dias.

Na série de filmes Vídeo de cinema, Morales já trabalhou com a suspensão da ação e a distorção das convenções dos gêneros do cinema. Em Solitária, pobre, embrutecida e curta, filme de guerra, de 2004, por exemplo, usava imagens que em nada se pareciam com uma batalha. As pessoas vagavam por lugares vazios e a câmera, de tocaia, esperava por algum acontecimento. Nada acontecia. A guerra era sugerida por meio de diálogos de outros filmes sobrepostos à imagem e pela maneira de posicionar a câmera ? que muitas vezes olhava de longe. O que se via, no entanto, era uma rotina lenta, modorrenta.

Não havia dramatização do combate e o cheiro de pólvora trocada não era percebido no vídeo. Não eram vistos tiros, cadáveres, tropas e nem inimigos se digladiando. O filme fala de coisas laterais ao esquema dos filmes de guerra, do que não cabe na estrutura dos filmes hollywoodianos. A luta era percebida pela espera tediosa, o olhar de espreita da câmera, em uma vida que corre com alguma normalidade, apesar do conflito.

Nas cenas acontece o que está por trás da cena, por trás das câmeras. Atos cometidos enquanto as personagens levam a sua vida sem graça, depois que o papel a ser desempenhado por elas acabou e as cortinas foram fechadas.

Ao deslocar as imagens nas fotografias, o artista joga o holofote nas ações sem importância teatral, cenas de todos os dias, que se repetem e não constituem grande coisa. Não por acaso, em sua última exposição na Galeria Virgílio, as imagens estão paradas, são momentos em que a vida não passa, ou melhor, passa diante de nós, enquanto ficamos parados.

Também não é à toa que, nas fotos, as imagens de cinema se parecem com fantasmagorias. Os espectros são seres que estão sempre por lá, que nós nem notamos, passamos batido. Eles, os fantasmas, retomam as suas vidas do ponto em que elas pararam. Como se vivessem sempre um pouco antes do seu ocaso depois de seu ocaso. Por isso, tocam a vida depois da morte, em um tempo de presente perpétuo, que eles não podem mudar. Ficam por aí, a vagar. Não trocam de roupa, não têm casa e não fazem nada para o futuro. Suas vidas já acabaram e agora elas só se repetem. Os personagens também fazem o que sempre fizeram naqueles filmes. Alguns nos fitam, como se nós não pudéssemos vê-los.

Esse aspecto sempre presente, fantasmagórico, é o que existe de mais bonito na instalação que Wagner Morales mostrou junto com as fotos na galeria Virgílio. Lá, ele dá forma à repetição ad eternum das coisas da vida no cinema. Sobretudo a deliciosa repetição dos filmes de sacanagem. Assim, duas cenas de sexo oral são projetadas na parede da galeria e registradas à tinta. Depois que se tornam uma pintura no espaço, Morales as banha com a luz do projetor, que lhes assemelha a um filme, mas um filme parado.

O artista já havia brincado com as convenções desse gênero em seu Filme de foda (2007). Nesse vídeo, ele se aproveita da estrutura convencional dos vídeos eróticos, mas os mostra de outra forma, onde, mais uma vez, as coisas acontecem porque nada acontece. Dentro de regras estritas do gênero, Morales cria um clima erótico sem que ninguém se encoste. Não se trata apenas de mostrar uma estrutura prévia e impessoal, mas mostrar que nessa estrutura as coisas acontecem. Por isso, o filme acaba rendendo uma homenagem à pornografia e às relações sexuais fortuitas, impessoais e promíscuas. Como um papo apimentado, a coisa acontece sem nenhuma epopéia e nem acontecimento marcante. Na instalação, a coisa vai ainda mais longe, trata-se de uma presença que não se modifica, de um ato que poderia estar em qualquer filme. Por isso, a imagem se desprende do seu referente e se torna algo que existe sozinho.

Essa repetição da vida cotidiana ? seja no cinema, seja na vida, que o trabalho de Wagner Morales parece falar. A vida é muito pouco, está cansada de aventura. Não por acaso, ele utilizou cenas de felação que poderiam ser retiradas de qualquer filme pornô. Visto assim, o trabalho parece triste, descendente do que Andy Warhol tem de trágico. No entanto, a série não é exatamente triste.

As imagens das fotografias são de cuidados com o corpo, de convivência branda entre os personagens. Esses prazeres repetitivos são o remédio de uma vida dura. Por isso, mesmo que se pareça com gestos automáticos, repetitivos, muitas vezes elas têm algo de um porto seguro, de um abrigo contra as atribulações da vida do trabalho, das obrigações. São momentos em que cuidamos, de forma muito parecida, de nossas vidas, nossos gostos e prazeres íntimos, sem dar muita satisfação a quem está de fora.

Assim, esperar o previsível, o rotineiro, não é reiterar o que é maçante, mas contar com o que é sempre bom. Só não sabe isso quem nunca aguardou o fim do dia para receber o carinho da pessoa amada.

Via Blog do Guaciara




Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

POEMAS DA MÃE, DR. ÂNGELO MONAQUEU, PROF. OMAR KHOURI


POEMAS DA MÃE é o mais recente trabalho ficcional do Dr. Ângelo Monaqueu, espécie de alter ego de Omar Khouri, cuja existência data, em termos de obra assumida, do ano de 1995, quando foram publicados três dos quatro volumes da obra DE AMOR E MERDA, uma prosa experimental colocada numa espécie de livro-objeto. O livro POEMAS DA MÃE, como os demais que compõem a obra de Ângelo Monaqueu, vem à luz graças justamente aos esforços do Professor Omar Khouri, que comenta as peças constantes do volume. Cada poema recebe uma carga de metalinguagem, nem sempre esclarecedora, mas que acaba por integrar o todo da obra. Podendo ser classificada como uma obra erótica e, ao mesmo tempo, maledicente e humorística, insere-se em toda uma tradição que vem dos gregos, passando pe! los latinos, Aretino, Sade, Bocage, até chegar aos tempos de hoje. O material, escrito teve tratamento gráfico esmerado de Vanderlei Lopes e traz desenhos de Omar Khouri, de 1975: as ?erotografias?. Peter de Brito colaborou na produção do volume.

Omar Khouri é natural de Pirajuí, interior do ESP (1948), cidade em que fez os seus estudos elementares, tendo-se radicado em São Paulo no ano de 1970, onde cursou História (FFLCH-USP) e a Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica: Mestrado e Doutorado (PUC-SP), chegando à Livre-Docência em Teoria e Crítica da Arte pelo IA-UNESP, onde exerce atualmente a docência. Artista gráfico, poeta e crítico ocasional das Artes, tem atuado como produtor de linguagem desde o ano de 1974. É co-fundador da Nomuque Edições, editora que existe à! margem do sistema, sendo co-responsável pela publica&c! cedil;&a tilde;o da mutante revista ARTÉRIA. Participou de diversas exposições de poesia intersemiótica no Brasil e no exterior. Tem cerca de 30 trabalhos editados, a maioria com tiragens reduzidas, além de possuir inúmeros poemas na REDE.

O lançamento, com a presença de Omar Khouri, acontecerá em 9 de Maio sábado às 11:00 horas, na Galeria Virgilio, situada à Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 426, Pinheiros, São Paulo, SP.
T.30629446 |
artevirgilio@uol.com.br



Matéria com Izabel Pinheiro

Confira a entrevista com a Marchande Izabel Pinheiro no site Arte|Ref (Rerferência e Notícias em Arte Contemporânea).




Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Exposição Karen Kabbani & Vanderlei Lopes











Karen Kabbani e Vanderlei Lopes
estão na exposição do mês de abril aqui na Galeria Virgilio. A vernissagem aconteu na terça-feira passada as 20:00h. Exposição ficará aberta ao público do dia 08 abril à 02 maio de segundas às sextas das 10 às 19h e aos sabádos das 10 ás 17h.
Para quem ainda não conhece a Galeria Virgilio o endereço fica na Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto 426, em Pinheiros. Para maiores informações entre em contato conosco pelo telefone: 30629446/30612999 ou através do site www.galeriavirgilio.com.br



Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Adams Carvalho no MAC Niterói

Investigações Pictóricas - MAC Niterói
Curadoria Daniela Labra
MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói
Mirante da Boa Viagem, s/nº Niteroi - Rio de Janeiro RJ
Coletiva: Adams Carvalho... - www.macniteroi.com.br
Abertura: 07 de Março de 2009 às 10h até 21h
Visitação de 07 de Março a 12 de Abril de 2009
Ingresso: R$ 4,00 (estudantes com carteira e adultos acima de 60 anos pagam R$2,00; crianças até 7 anos não pagam; as quartas-feiras a entrada é franca)

CONVITE



Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Adams Carvalho e Cristine de bem e Canto

A Galeria Virgilio inaugurou no dia 10 de março, as mostras individuais dos artistas Adams Carvalho, com pinturas em tinta acrílica sobre telas de pequenos formatos, e Cristine de Bem e Canto, que apresenta fotografias e uma vídeo-animação, acompanhada de um cartão- postal. As mostras ficam em cartaz até o dia 02 de abril.