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Teresa Viana

Teresa Viana sempre se deixou conduzir pelo gesto. Conforme eles se alargavam, suas pinturas de grossas massas de tinta iam ganhando inesperada corporeidade. É este confronto entre a matéria e o espaço que agora assume novas configurações. No painel de 20 metros de comprimento instalado no Centro Universitário Mariantonia, ocupando os 3 metros do pé-direito de cima a baixo, a artista usa as técnicas do recorte e da “colagem” – no caso, sobreposição de placas de cor.

A partir de entretelas tingidas, que ela ataca com tesoura, surgem pedaços de variadas dimensões e formatos, então grampeado sobre uma grande superfície, operação que inclui altas doses de imprevisibilidade. Como em uma larga pincelada no plano, cada um destes fragmentos coloridos guarda a marca de uma ação da artista, de seu corpo e do movimento que dá à cor seu lugar no mundo.

Teresa nunca perde de vista a gramática particular da pintura nem deixa de acreditar em seu poder de sedução. Nestas assemblages sintéticas, a cor engendra a forma, como também acontece em seus quadros.

Tensas, as cores surgem e se movimentam para todos os lados, fazendo-se presentes para organizar a tela, que em instantes volta a se desestabilizar por completo, retomando sua busca incessante.

Esta convulsão criada pela artista na superfície infinita a nossa frente, vertigem na qual o espectador se vê envolvido, também é, para Teresa Viana, um manifesto de crença no poder da cor e da pintura.

Fernando Oliva

Texto publicado no catálogo da exposição no CEUMA-USP – maio/2002