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Thiago Honório na Galeria Virgilio - "Exposição"

Em sua segunda mostra individual realizada em galeria, Thiago Honório, busca problematizar a idéia de exposição. Os trabalhos que compõem a mostra, cujo título “Exposição” enuncia literalmente o problema com o qual o artista agora se defronta, foram livremente inspirados na novela “História do olho”, de Georges Bataille, como também no ensaio “Espelho da tauromaquia”, de Michel Leiris, autores dissidentes do grupo surrealista francês liderado por André Breton. A referência a este movimento pretende apenas sugerir um dado poético, ligado ao rico universo sensorial e aos procedimentos de livre associação de idéias do Surrealismo, e não implica uma dependência da mostra em relação a ele e a essas obras literárias.

Na montagem de “Exposição", Thiago Honório procurou concatenar e estabelecer uma relação entre os trabalhos, enfatizando os intervalos entre eles, conferindo um estatuto ativo aos espaços deixados vazios; com isso, ao mesmo tempo que resguarda a autonomia de cada um deles, mergulha-os num feixe de relações recíprocas, situação na qual o espectador deve se descobrir permanentemente convocado a redefinir o conjunto.

Conforme nos diz o próprio Thiago, "esta mostra, e os trabalhos que a integram (que são, por assim dizer, duas coisas iguais e diferentes), surgem como uma reflexão sobre a natureza do processo de criação, sobre esse limite incerto que pode tornar algo um 'trabalho de arte'. É algo que indaga se a condição de uma ‘exposição’ pode vir a ser o próprio momento constitutivo do trabalho, revelar-lhe os mecanismos mais sutis de formação, e não a apresentação de um conjunto que só pode vir à tona a posteriori. As obras têm em comum o desejo de questionar o quanto a arte ainda realiza a experiência de uma comunicação criadora entre uma esfera íntima e uma esfera pública e o desejo de falar de certa fragilidade da condição humana, sempre à mercê de se ver tragada pela exacerbação de um mundo privado ou, no extremo oposto, pela submersão numa voragem de determinações que lhe são externas e cuja compreensão lhe escapa. Elas são, como diz Leiris, a reflexão sobre os nós ou pontos críticos, sobre ‘os lugares onde o homem tangencia o mundo e a si mesmo’”.

Numa generosa parede da sala do piso térreo encontra-se apenas o grandioso chifre de um animal selvagem; na parede contígua, um monitor de plasma exibe o vídeo "Exposição" e, no centro da mesma sala, onde o visitante se depara com duas colunas, há dois trabalhos, intitulados "Xeque-mate" e "Olho". Para além da idéia de limite que perpassa todos os trabalhos inéditos expostos, o conjunto revela uma crueza, a vontade de uma exposição autodemonstrativa de seus elementos, e surge de um ato que paradoxalmente deseja se presentificar pela ausência, vale dizer, pela própria energia que deve irradiar das obras.

O título / “nome” “Bataille” (que também significa batalha) gravado em placa de ouro afixada sobre uma base de jacarandá da qual emergem os chifres, tijolos à vista, estaca de concreto, tabuleiro de peles, chumbo, espelho de mesa, ovo – todos esses elementos são o que são: expostos cruamente e isentos de preocupação narrativa.

As idéias de limite e contraste, bem como uma relação imperiosa com o ambiente que envolva ativamente o espectador, são questões caras a Thiago Honório e vêm sendo abordadas em seus trabalhos, desde “Saltando de banda”, exposição realizada em 2003, espécie de performance de engenharia, com corpulentas estacas de concreto armado e cabos de aço.

Acompanha “Exposição” um ensaio inédito de Sônia Salzstein.

Thiago Honório (1979) é natural de Carmo do Paranaíba, Minas Gerais. Vive e trabalha em São Paulo desde 1996 e já mostrou sua produção em exposições coletivas e individuais no Centro Cultural São Paulo – CCSP (2001), no Centro Universitário MariAntonia/USP (2003), no Instituto Tomie Ohtake (2004), no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM (2005/2006) e na Galeria Casa Triângulo (2006), entre outros. Concluiu mestrado em Teoria e História da Arte na Escola de Comunicações e Artes da USP (2006) e leciona, desde 2006, na Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Alvares Penteado – FAAP.

6 de dezembro de 2007 a 15 de fevereiro de 2008

Galeria Virgilio
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