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Da Solidão, da Ilusão e do Desejo

A presente exposição publiciza os trabalhos desenvolvidos por Daniel Murgel, Francisco Zanazanan e Thiago Honório no âmbito da bolsa de produção oferecida aos três artistas premiados no 58º Salão de Abril. O acompanhamento crítico deu-se de forma entusiasmada e partiu de um diálogo pontual e profícuo com cada artista. Não houve por parte da curadoria nenhuma tentativa de direcionar os trabalhos individuais de tal forma que apontassem para uma leitura homogênea própria de uma mostra curada. Pelo contrário, esta exposição traduz o enlace de três processos independentes que geram individuais simultâneas. Coincidentemente, elas ofertam possíveis visadas que as ligam, mas esta tentativa de aproximação e de firmamento de um circuito deve partir dos visitantes. Com o intuito de marcar as diferenças e singularidades cada trabalho pode ser acessado por entradas independentes.

1. Da Solidão: Casa Arruinada, Projeto da Laje e Gaiola – Churrasqueira quase casa, gaiola quase quintal.
O desenho de Daniel Murgel carrega uma dupla potência: a de ser uma obra em si, carregada de verdade virtual, e a de ser projeto, que antecede a existência da concretude das instalações. Nesta seqüência desenvolvida no processo da bolsa, permanece a latência poética do embate entre espaço público e espaço privado, entre ameaça e afeto, entre utopia e ruína, permanecendo insistentemente a contundência da solidão, já encontrada em seus trabalhos recentes.

2. Da ilusão:
Ilusão foi o norte da arte até o período modernista. Para Francisco Zanazanan, contar com o olhar para compor seus trabalhos é reativar a importância de atentar para o ver. Durante o período da bolsa, o artista verticaliza esta pesquisa e constrói um jogo visual em que questões da arquitetura, da escrita e do corpo ofertam uma ode ao humanismo. O conjunto de trabalhos remete sobretudo às capacidades e falências do humano, imperfeito e finito.

3. Do Desejo: Marcador
A poética de Thiago Honório há tempos se sedimenta em questões sobre contraste, limite e uma forte pulsão narrativa, propagada pela força formal de seus trabalhos. “Marcador” exerce um imperativo de jogar duplamente com o espaço e o lugar, que se transformam em textos visuais. Uma gigantesca fita de cetim demarca e assinala o espaço de forma paradoxal. Por um lado há assertividade e por outro, invisibilidade. A cor, a textura e o material da fita encarnam desejo.

Cristiana Tejo
Curadora