Este projeto reúne três artistas que têm como uma das disciplinas centrais de sua formação a arquitetura. Em suas pesquisas localizam, no cotidiano, estruturas espaciais e sociais que criam no universo urbano nichos onde se concentram inúmeros códigos da convivência humana.
Para esta exposição, lhes foi sugerido que criassem obras que dialogassem com a própria estrutura e logística de funcionamento do Palácio Cruz e Sousa, edifício que não apenas abriga salas expositivas e escritórios, mas que também tem uma função social para a cidade acolhendo em seus salões térreo eventos diversos de natureza recreativa-cultural.
O Palácio carrega uma parte importante da memória local, e sua estrutura desafia quem lida com arte e arquitetura contemporâneas, impondo-lhe os cuidados de manuseio que o patrimônio requer fato comum em outras instituições históricas brasileiras com espaços para exposições temporárias.
No entanto, o objetivo era o diálogo e assim as obras foram pensadas em relação e reação às condições normativas e físicas do Museu. Tatiana Ferraz duplica e propõe uma releitura de padrões existentes no 2º andar, onde está o acervo histórico; Rubens Mano ocupa uma sala interna e alça outra nos jardins, inventando-a com luz, criando um circuito que se comunica com quem também está nas ruas; Ana Holck mostra backlights onde lança um olhar sobre o processo de aprisionamento da paisagem (que não é a do Palácio) pelo concreto armado. A obra desta artista se insere, na sala central, na instalação MDC: uma arrumação funcional com móveis da instituição que integra os ambientes desta exposição e comenta o uso social das atividades extra-expositivas realizadas no salão regularmente.
Talvez toda e qualquer exposição de arte seja um espaço reversível, uma zona (não autônoma) temporária. Entretanto, esta mostra vai um pouco além, sendo erguida a partir do reconhecimento e compreensão das demandas da instituição, sendo uma investigação poética que nasceu aqui, aqui se desenvolve e somente aqui terá sentido pleno.