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Em outras paisagens

Em outras paisagens é o título da exposição que apresenta os trabalhos mais recentes produzidos pelo pintor paulista Sergio Spalter. A sua produção pictórica até então, se caracterizava pela representação de paisagens amplas e espaços generosos, constituidos por campos cromáticos, construidos em diversas e sucessivas camadas de cor. Com formas pouco delimitadas, de contornos livres e abertos, os quadros, mesmo aqueles mais plenos de vitalidade colorida, traziam um certo sentido de isolamento e distanciamento, onde o uso consecutivo das cores, uma sobre as outras, acabava resultando numa afirmação de impossibilidade.

Os novos trabalhos, que são agora apresentados em sua segunda exposição na Galeria Virgílio, seguem um caminho diverso. Neles continua presente um caráter de amplitude, evidente não apenas nos grandes formatos das pinturas, mas também pela multiplicidade das investigações em pequenos formatos: inúmeras e extensas experimentações que compõem um painel dos exercícios e acontecimentos pictóricos de interesse do artista.

Nas telas maiores, partindo de uma paisagem pintada anteriormente, o artista agora parece ceder aos impulsos repentinos de mudar de curso, não com um objetivo e destino premeditado ou pré determinado, mas na tentativa de abraçar os acontecimentos da pintura, apenas para ver onde eles vão dar. O desenrolar dos acontecimentos pictóricos parece objetivar as descobertas acidentais, aquelas ocorrencias que se dão casualmente, sem planejamento. O processo envolve uma sincera disposição em testar limites, aceitar as vontades e os encontros repentinos, avançar e recuar, numa interação contínua do artista entre a esfera da história da arte e o seu legado, e a esfera familiar e específica do seu próprio ambiênte particular.

Nestes quadros, a representação não é figurativa nem abstrata. O artista parece não se preocupar com este tipo de distinção, seu interesse está voltado ao processo da pintura, aos encontros e desencontros fortuitos desencadeados pelo próprio fazer pictórico. A conformação dos campos de cor assumem um caráter mais esquematico em relação aos trabalhos anteriores. Apesar de ser ainda constituida por camadas sucessivas de cor, a superfície da pintura se torna mais sólida e chapada, com fronteiras cromáticas delimitadas e enformadas.

O resultado do processo é uma pintura que abertamente mostra o seu percurso, inicialmente partindo de um lugar e chegando à outro, completamente inesperado. As pinturas apresentadas na exposição Em outras paisagens renovam e revigoram a produção do artista, revelando assim outras possibilidades.

Monica Tinoco

 
 
by artebr.com