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Cena (2002), de Paulo D’Alessandro (Pinacoteca do Estado- São Paulo)

Nada é novo e tudo é diferente. Estou diante de uma Cena cinematográfica. Um instantâneo em movimento – as figuras seguem seu curso independentes de meu olhar. Só mesmo no cinema isso acontece: um plano geral em que cada figura “em seu lugar” faz alguma coisa sob o mando de um diretor. Mas não se trata de cinema: é fotografia. Não houve nem um “gravando!”, nem um “corta!” alertando essas pessoas sobre o filme em processo. O instante aconteceu sob o olhar do fotógrafo? Ou o fotógrafo – surpreso? expectante? preciso? “sem querer” ? - captou o instante em que as tantas figuras da Cena parecem ensaiar uma cena em que não há dois olhares focando na mesma direção? Enquanto isso, o meu olhar ora se agita em torno de todos e tudo, ora pausa sobre um detalhe da cena, um gesto. Como sossegar minha vista? Todas as figuras apelam à minha atenção, o cenário completa os gestos e cada micro-cena me conta uma história. É isso ! Meu agito é porque preciso saber mais do tanto que já está diante de meus olhos. E minha imaginação vai tomando corpo. Falta pouco para começar a escrever essa acontecência!
( Maria Helena Martins - São Paulo, 24 de maio de 2017)

* Antilogias: O Fotográfico na Pinacoteca
Pinacoteca de São Paulo
Praça da Luz, 2
Até 7/8
pinacoteca.org.br


 
 
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