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Paisagens artificiais*

“[...] Os trabalhos de Pedro Cunha e Maura Grimaldi tomam o espaço urbano como interface da presença humana na natureza. A cidade aparece como obra ordenada, quieta, harmônica nos tipos de enquadramento rigorosamente gráficos; signos catalogáveis de uma solidez adquirida, construída. Porém, os silêncios que perpassam as imagens abrigam peculiaridades.

“Miragem urbana”, de Pedro Cunha, usa o formato panorâmico para dar amplidão aos ambientes internos, tranquilos na idealização de uma cidade-miragem na qual a arquitetura promoveria a intersecção perfeita entre realidade construí- da e paisagem sonhada. Já as “Esquinas”, igualmente quietas, de Maura Grimaldi, contém a ordenação, a concretude gráfica organizada pela artista na forma de quadrantes. O rigor plástico de certo traço construtivista, deixa entre- ver na aproximação mais íntima do olho com a imagem, o aspecto noturno, evasivo, misterioso de um cenário a ser preenchido na escolha por qual caminho tomar diante de uma esquina: “E é justamente diante de duas direções que se encontra uma esquina; ela é o encontro de duas vias que abrem uma a outra”, diz a artista. Em ambos os trabalhos, a figura humana está latente nos lugares, seja por uma vontade idealizadora e olhar enganado pela miragem, seja pela dúvida e pelo percurso errante na aparente quietude no traçado das fachadas.[...]”

Mariano Klautau Filho

* Fragmento do texto presente no catálogo Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia: cultura natureza / textos Mariano Klautau Filho, Maria Helena Bernardes, Andréa Feijó e Val Sampaio. – Belém: Diário do Pará, 2013.

 
 
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