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O que caminha ao lado*

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Para que uma mensagem seja transmitida sem perda de conteúdo, seu meio deve ser invisível. Se vemos apenas o meio, não vemos a mensagem, ou se o meio aparece, a mensagem é alterada – o que faz com que um ideograma chinês para quem não fala a língua, por exemplo, seja apenas um elemento gráfico. Para pensar as relações que constroem um imagem, Maura Grimaldi faz uma distinção essencial entre fotografia e imagem – a matéria, fotografia, que sustenta em sua superfície a imagem, o narrativo o simbólico. A fotografia é um meio que, através de processos óticos e químicos, “fixa” imagens em superfícies fotossensíveis. Durante o período da exposição, esta mesma imagem passa por diferentes processos físicos – como se a imagem na película estivesse em constante processo de revelação.

A projeção – inicialmente pensada para ser uma forma de mostrar imagens em movimento -, é utilizada aqui para exibir uma imagem estática. A luz que atravessa a película mantém um processo de queima constante, assim como a passagem de um slide a outro mantém uma espera. Somos colocados a aguardar uma mudança na imagem, sugerida pela figura narrativa do espelho, que promete revelar, em seu reflexo, quem fez tal imagem: o fotógrafo. No entanto, através de um engenhoso jogo de ângulos, o fotógrafo se ausenta e o que vemos é a relação entre a máquina fotográfica, o aparelho de projeção, seus componentes físicos e químicos e a imagem. Esta torna-se refém da própria invenção que a gerou – a fotografia.

Isabella Rjeille

* Texto de Isabella Rjeille sobre o trabalho “Sem título” (2011) de Maura Grimaldi. Esse texto integrou o catálogo da exposição “O que caminha ao lado“, SESC Vila Mariana, São Paulo, 2015. Curadoria: Isabella Rjeille.

 
 
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