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Texto crítico para exposição no collégio das artes

Karen Kabbani não tem interesse na “arte da pintura”, mas menos ainda na “ampliação do campo da arte” do minimalismo ou em qualquer outro discurso de justificativa humanista. A moça quer reduzir o Todo ao Objeto. Ela pinta como quem fabrica um adereço de moda. Daqueles bons, caros e vistosos que transformam qualquer bagulho, se não em uma beldade, em um feliz possuidor de um terno Armani, por exemplo. Mesmo a sua pincelada expressionista transformada em repetição mecânica não é uma ironia contra a subjetividade, coisa que para ela é um assunto encerrado. É uma atualização da subjetividade expressionista pra esse mundo tecnológico, que finalmente vai nos transformar a todos em vaquinhas felizes, excetuando os coitados que vão morrer de fome e sede e os críticos de arte pós-estruturalistas, que vão continuar se perguntando se a Felicidade é o Outro dela mesma ou o Mesmo Dela Outra.

Rafael Campos Rocha
fevereiro de 2007