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Poema para Moradas Nômades

d o i s   r i o s

e s p a t a s d e p a l m e i r a
d e b o r c o s o b r e a t e r r a ,
q u e l l u e v a , q u e l l u e v a ,
l a v i r g e n d e l a c u e v a

c h o v e f o r t e
n o s b a r r a n c o s ,
e n t r e o r o x o
d o s t o r r õ e s ,
s o b r e o s s e i x o s
e o m u s g o
d o v e i o d o r i o
e x p u l s o s
( g u m e q u e o l i m o
r e c o b r e
d e u m v i s c o f r i o –
p e d r e g u l h o )

c h o v e n o f u n d o
b a r r e n t o
r e p l e t o d e p i g m e n t o s
q u e o s p i n g o s
t r a z e m à t o n a
e m d i l u í d o s v e r m e l h o s

c h o v e f o r t e
( c o m o o n t e m )
n o f l u x o e s c u r o
d o r i o
– s e u c u r s o
u m l e i t o
d e t r o n c o s l i s o s ,
c r i v o d e t o c o s
p r e t o s , r e s t o s
d e o s s o s s e c o s ,
e s q u e l e t o s
– r e n t e s f r i s o s –
( t e r r o r )
d e s i l ê n c i o

Poema de Josely Vianna Baptista

 
 
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