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Para exposição Individual – Itaugaleria - abril de 1995.

As pinturas a óleo são os trabalhos mais recentes de Deborah Paiva. Todas as suas obras anteriores eram esculturas. A passagem de um campo a outro não foi uma simples renovação de meios, ou desenvolvimento de motivos já presentes nas peças tridimensionais. Foi, ao contrário, um corte nítido, uma mudança radical de perspectiva: Um ato de vontade arbitrário, um desejo e uma necessidade de desnorteamento, que de repente deslocaram a artista para um território desconhecido, onde era necessário partir do zero. Por outro lado, Deborah escolheu a pintura à óleo, a mais tradicional e desenvolvida das técnicas. A tensão interior do trabalho esta justamente nesse contraste entre uma matéria nobre, objeto de uma sabedoria secular, e a ação da pintora que redescobre passo a passo como se não houvesse um passado.

Se essas pinturas às vezes lembram mapas ou fotografias aéreas é porque elas são de fato mapeamentos, em que pequenos eventos locais acabam formando grandes configurações, regiões unificadas por um traço comum. Em cada ponto da tela se sobrepõem camadas de tinta estendidas com a espátula e com o pincel, escoamentos, pingos, raspagens que trazem à tona de novo as camadas inferiores, pondo continuamente em xeque o que foi realizado. Deborah evita, porem, que esse trabalho intensivo se transforme em uniformidade, graças a mudanças súbitas de tom que dividem as telas (sobretudo as maiores) em áreas de cor discordante, Por sua vez, as áreas compactas voltam a se esgarçar nas margens, devido ao trabalho em detalhe.

A dialética entre grandes regiões e micro eventos, que esta na base dessas telas, pode ser encarada também de um outro ponto de vista: é conflito entre projeto e gesto artesanal, cada um pondo continuamente em discussão o outro. Deborah não parece ter pressa em indicar uma solução, ou imprimir uma direção unívoca a essa oscilação.

Preocupada, sobretudo em não encaixar o trabalho em moldes preestabelecidos, deixa que ele se defina, por enquanto, como aquilo que não é: nem pintura monocromática, nem expressionismo abstrato, nem imagem, nem matéria. Uma terra de ninguém onde sem dúvida, são possíveis erros e arrependimentos, onde a tinta é livre para se organizar aos poucos, como massa de lava que resfria.

Lorenzo Mammi

 
 
by artebr.com