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Do cubo branco ao palco

O que move um pintor em tempos pós-modernos? Antes de mais nada, uma decisão de princípios: aderir ao cinismo militante ou perseverar na utopia do legado moderno. Em ótima companhia na segunda linhagem de artistas, Deborah Paiva fez ainda outra importante escolha: em lugar de perscrutar uma mesma questão ao longo da vida, ela optou pela constante reinvenção em suas obras. A pintura como espaço de expressão e da ética marca sua trajetória de mais de dez anos.

A exposição concebida para o Centro Universitário Maria Antonia parte de dois desafios: a anestesia provocada pela estetização da guerra do Iraque, contexto em que as pinturas começam a ser produzidas, e a sala destinada à mostra, absolutamente destituída de neutralidade. A artista fez da sala um palco para as pinturas que encenam violência em sua gestualidade ampla e urgente. O conjunto de telas vermelhas verticais é de uma ambigüidade pungente: as estruturas arquitetônicas transformam-se em formas ogivais, segundo a opção de cenário para as obras que o espectador adota.

Na série de telas acinzentadas, o tom rebaixado não se impõe menos do que o vermelho triste das Ogivas. Aqui as formas “destrambelhadas”, como as chama a artista, reforçam o caráter all-over de suas pinturas. A saturação e a “pincelada” feita com pequenas vassouras criam essa situação mesmo quando alguma figuração ocorre. A figuração nunca toma a frente. Na tela azul, única apresentada individualmente, o duplo esta no titulo: Noite em Bagdá ou Festa de São João, reforçando a ambigüidade que a exposição toda evidencia.

Juliana Monachesi *

* Para a exposição individual – Centro Universitário Maria Antonia – agosto 2003.

 
 
by artebr.com