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Alice Shintani | Quimera

Tudo é tomado pela cor numa eloquente demonstração do território expandido da pintura. Esta, ao contrário do que anunciavam seus obituários ao longo de todo o século passado, se renova e se transforma. Aqui somos envolvidos por uma imaginação pictórica que se distancia das práticas tradicionais. Espaço e pintura se encontram numa rara simbiose. Uma estrutura delicada percorre todos os caminhos sugeridos ao olhar; não é um esqueleto, é uma espécie de sutil cartilagem cromática que nos captura. E essa cor, outrora quase kitsch, se torna sedutora. É diferente de uma instalação, por isso é melhor recorrer ao termo ambiente para designar essa Quimera que nada tem de assustador ou irreal. Quando somos acolhidos por esse local redefinido, podemos, por um instante, esquecer todo o resto e, ainda que de modo provisório, aceitar que a artista nos proporcione todo um mundo de sensações no qual o olho e o corpo não podem se separar nunca. E nesse momento este ambiente é o mundo todo.

Paulo Sergio Duarte