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Efêmera paisagem (Vídeo/PeB/exp/4’/PA/2007)
Lembro, quando ainda criança, das viagens que fazia com a família para Mosqueiro, uma ilha banhada pelas baías do Guajará e do Marajó, afastada 70 km de Belém, e para onde ainda tínhamos que atravessar de balsa. Como demoravam aquelas viagens! Pra criança, sempre demora.

Meu lugar no carro era sempre o mesmo, sentava do lado direito atrás de minha mãe, e tenho a lembrança de ficar a maior parte da viagem observando a paisagem que "passava"; a aparente diferença de velocidade da vegetação de acordo com a distância do veículo, a faixa branca tracejada que parecia contínua e as pessoas e bicicletas que passavam à margem da estrada e pareciam borrões.

Esse vídeo é isso: uma saudade.
Na captação dessas imagens a estrada é outra e a distância é maior, mas o tempo já não parece tão lento e a paisagem tem semelhanças com a de antes. Minha mãe já não está no seu lugar, eu o estava ocupando ao lado do meu pai, que dirigia.

Esse trabalho tem ainda a finalidade de prestar uma homenagem tanto a ele, meu pai, que também já não está no seu lugar, como aquela Efêmera Paisagem que passou naquela antiga janela, mas ficou fixa na minha memória.

Alberto Bitar

 
 
by artebr.com